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Arquivo mensal: junho 2011

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Matéria da Galileu – Transtorno de Personalidade Borderline

Na fronteira da loucura
Borderline, o distúrbio de personalidade que leva as pessoas a desatinos
Por cláudio fragata lopes
ilustrações rogério A. nunes
Você deve se lembrar do filme Atração Fatal, de Adrian Lyne. Nele a atriz Glenn Close vive uma executiva que seduz um advogado casado, interpretado por Michael Douglas. Ela, no entanto, não aceita a idéia de um simples caso de fim de semana e, menos ainda, a frustração do abandono. Começa aí uma perseguição doentia, onde explosões de agressividade, chantagem emocional, tentativa de suicídio, automutilação e invasão de privacidade fazem parte de um esforço obsessivo para ficar ao lado do homem que ama. Nesse vale-tudo, sua fúria se estende à esposa e à filha do advogado com o objetivo de intimidá-lo. Claro que a história termina em tragédia. Mas fatos como esses, que dão roteiros de tirar o fôlego, não acontecem apenas no cinema. Existem, na vida real, pessoas que se comportam exatamente como a personagem de Glenn Close. São aquelas que sofrem de um gravíssimo distúrbio de personalidade conhecido como borderline, palavra inglesa que significa fronteiriço. O nome já diz tudo: elas vivem no limite da sanidade, sem contudo encaixarem-se em nenhum quadro conhecido de doença mental ou neurológica. Suas vidas são uma eterna roleta russa. Costumam ter variações repentinas de humor, não conseguem controlar a raiva e tornam-se muito agressivas diante da menor contrariedade. Nesses rompantes de ódio, podem quebrar a casa inteira e também quem estiver por perto. Agem sempre impulsivamente, abusando muitas vezes do álcool e das drogas, comendo demais ou praticando sexo de forma compulsiva.
Sempre insatisfeitos, os borderlines queixam-se com freqüência de sensação de vazio interior. Quando se sentem rejeitados ou querem manipular alguém, tentam o suicídio ou praticam a automutilação. Não é para menos que estão entre os casos mais difíceis da psiquiatria.
“Não se trata de uma doença, mas de um distúrbio de conduta, que tem como conseqüência sérios prejuízos não só para o próprio indivíduo, como para as pessoas que o cercam”, explica o psiquiatra e psicanalista Oswaldo Ferreira Leite, diretor do Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, onde, junto com outros especialistas, vem desenvolvendo um tipo específico de psicoterapia para o tratamento desses casos. “Os pacientes borderline não vivem fora da realidade e nem dizem coisas delirantes, mas, ao mesmo tempo, não se ajustam, não evoluem, nunca alcançam a realização pessoal.”
Claro que com tal comportamento, os borderlines têm enormes dificuldades de relacionamento social, agravadas pelo sentimento constante de rejeição e não-aceitação. Estão sempre criando caso e raramente permanecem muito tempo casados ou no mesmo emprego. Aliás, na área afetiva, parecem ter um talento especial para se envolver em relações tumultuadas, ao mesmo tempo intensas e instáveis. Em contrapartida, quando se sentem aceitos por alguém, fazem um esforço sobre-humano para evitar o abandono, mesmo quando não há razões concretas para isso. É comum, neste caso, “grudarem” no objeto amado de modo doentio, a ponto de a outra pessoa não agüentar a relação sufocante. “Tal é o grau de desordem de suas vidas, que os pacientes borderline geralmente viram caso de polícia antes de virarem caso de psiquiatria”, afirma Oswaldo. “Como não toleram frustração e não controlam a impulsividade, acabam se envolvendo na criminalidade antes de receber qualquer ajuda médica ou psicoterápica.”
Descontrole-padrão
Claro que nem todos eles cometem atos criminosos, mas são tipos potencialmente perigosos quando têm uma arma na mão. Qualquer um pode perder momentaneamente o controle das emoções, mas no caso dos borderlines o padrão anormal de comportamento é permanente. Por isso, é muito comum que procurem o serviço de psiquiatria para tratar de outros problemas, como a dependência de drogas ou uma tentativa frustrada de suicídio. Só então é que o transtorno borderline é diagnosticado.
Este foi o caso de E. S., de 27 anos, levada ao ambulatório de psiquiatria por intoxicação de álcool e drogas. Filha caçula de uma família de dez irmãos e fruto de uma gravidez indesejada, começou a ter dificuldade nos estudos e nos relacionamentos sociais ainda adolescente. Foi quando se envolveu com drogas, passando a ter uma vida sexual promíscua e conturbada. Depois do tratamento de desintoxicação, outras facetas de sua personalidade foram aparecendo. Revelou-se uma pessoa impulsiva, com graves dificuldades de adaptação e de constante variação de humor. Incapaz de conviver em grupo, vivia criando casos na enfermaria onde ficou internada, exigindo toda a atenção do mundo para si. Logo o diagnóstico foi fechado: transtorno de personalidade borderline. Embora as manifestações do problema apareçam na infância e avancem ao longo da vida, o diagnóstico só pode ser feito na idade adulta, quando a personalidade já está formada. Mesmo assim, a imaturidade parece ser um dos traços dominantes desses pacientes. “Eles atuam como eternas crianças birrentas, que esperneiam, não aceitam limites”, descreve Oswaldo. “O que se tem constatado é que sua história de vida está sempre marcada por uma rejeição primitiva, geralmente relacionada à gravidez indesejada ou ao abandono mesmo.”
Os borderlines são também “fronteiriços” do ponto de vista do tratamento. Este é o outro lado problemático da mesma moeda. Sem se encaixar exatamente nos diagnósticos psiquiátricos e psicológicos, nem sempre os pacientes com esse tipo de transtorno de personalidade reagem bem à medicação ou às sessões de psicoterapia.
Relação complicada
Neste último caso, a dificuldade é ainda maior. O tratamento psicoterápico está fundamentado na relação entre o terapeuta e o paciente, o que é quase impossível de se estabelecer com os borderlines, pessoas incapazes de manter vínculos, indisciplinadas demais para comparecer a sessões regulares e sem a menor noção de limites individuais. “Este tem sido nosso desafio”, esclarece Oswaldo. “No Instituto de Psiquiatria há um grupo experimental, formado por psicanalistas, que vem tentando aperfeiçoar algu
mas técnicas que fortaleçam e aprofundem o vínculo com esses pacientes.” Inspirado nas idéias do psicanalista austríaco Otto Kernberg, que estruturou uma teoria psicodinâmica para explicar o funcionamento mental dos pacientes borderline, o grupo aplica uma psicoterapia que dá maior ênfase à transferência e à contratransferência (leia quadro). A imposição de limites é outra condição fundamental: “É um pressuposto indispensável não só para o paciente tolerar o tratamento, mas para o terapeuta suportar o paciente”, admite o psiquiatra Daniel Boleira Sieiro Guimarães, também do Instituto de Psiquiatria. “Tratar de um borderline é como pilotar um navio numa tempestade. É uma provocação constante. O terapeuta tem que estar ciente disso antes de começar seu trabalho.”
Daniel afirma que não é todo psicoterapeuta que suporta a carga pesada de casos como esses. Ele acredita que só o trabalho em equipe, feito com o suporte de uma instituição médica, seja realmente eficaz. Essa também é a opinião de Oswaldo Leite: “Embora seja um trabalho pioneiro, temos obtido bons resultados”, garante. Mas ambos admitem que não existe cura definitiva para o distúrbio. O que o tratamento proporciona é um controle maior das emoções do paciente, que pode adquirir um pouco mais de auton
omia no convívio com os outros e consigo mesmo. “O transtorno borderline é a aids da psiquiatria”, compara o médico. “Não tem cura, mas com o tratamento pode-se diminuir o sofrimento dessas pessoas. Esta é ainda a única forma de ajudá-las a viver um pouco melhor.”
Antes de virar caso psiquiátrico,o paciente borderline geralmente vira caso de polícia
Transferência e
contratransferência

A transferência, na definição freudiana, é o nome que se dá aos sentimentos experimentados pelo paciente na terapia. São repetições inconscientes de situações vivenciadas por ele no passado e que são deslocadas para o terapeuta. A contratransferência diz respeito às manifestações emocionais do terapeuta em relação ao paciente, que devem ser conscientes e controladas para serem usadas como instrumento de trabalho. No caso de borderlines, os psicoterapeutas precisam ser habilidosos na identificação dessas reações

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Formas Farmacêuticas – Emulsões

emulsao-de-agua-e-oleo

Emulsões

São formas farmacêuticas constituídas por duas fases líquidas imiscíveis, em geral água e óleo, e que podem apresentar consistência líquida ou semi-sólida.

As formas líquidas são empregadas para uso interno ou externo, e as semi-sólidas para uso externo. As formas de uso externo são denominadas loções, quando líquidas, ou cremes quando semi-sólidas.

Quanto à classificação das emulsões, temos os seguintes critérios:

  • Tamanho das gotículas: microemulsões e emulsões;
  • Número de fases: bifásica, trifásica e emulsões múltiplas
  • Disposição das fases: emulsões água em óleo (A/O) ou óleo em água (O/A).

A grande maioria das emulsões utilizadas na terapêutica constituem emulsões do tipo O/A, ou seja, a fase interna (descontínua ou dispersa) é a oleosa, e a externa (contínua ou dispergente) a aquosa. As emulsões O/A além de serem laváveis, podendo ser facilmente removidos da pele ou das roupas, apresentam, em geral, melhor biodisponibilidade.

Os métodos mais simples para descobrir qual é a fase interna e qual a externa são:

  • Condutometria: apenas emulsões em que a fase contínua é a aquosa conduzem corrente elétrica.
  • Uso de corantes: corantes hidrofílicos colorem de maneira uniforme emulsões O/A, enquanto corantes lipofílicos colorem emulsões A/O.
  • Adição de veículo: a incorporação de veículo, seja água ou óleo, só será fácil se este corresponder à fase externa da emulsão.
  • Microscopia: pode-se avaliar, inclusive, a uniformidade dos tamanhos das gotículas

Vantagens e desvantagens das emulsões

Nas emulsões o fármaco pode estar dissolvido ou suspenso nas fases aquosa ou na oleosa, e esta versatilidade é uma das principais vantagens das emulsões.

Como vantagens as emulsões apresentam, ainda:

  • Aumento da estabilidade química em solução;
  • Possibilidade de se solubilizar o fármaco na fase interna ou externa;
  • Possibilidade de mascarar o sabor e o odor desagradável de certos fármacos através de sua solubilização na fase interna;
  • Possibilidade de se otimizar a biodisponibilidade;
  • Boa biocompatibilidade com a pele humana.

Entre as desvantagens, destacam-se:

  • Baixa estabilidade física ou físico-química
  • Menor uniformidade

Pré-requisitos das emulsões

Como pré-requisitos, as emulsões devem apresentar estabilidade química e física compatíveis com seu uso, e serem formuladas de forma biocompátivel com a via de administração desejada.

Assim, as emulsões devem apresentar viscosidade adequada ao uso tópico ou oral. Os tensoativos utilizados na estabilização das emulsões devem apresentar valores de EHL (Equilíbrio Hidrófilo Lipófilo) adequados  e ser compatíveis com uso interno ou externo.

Os valores de EHL podem ser encontrados na literatura em tabelas diversas. Segundo a Tabela de Griffin estes valores variam de 0 a 40. Quanto aos valores de EHL os compostos são classificados em:

  • Agentes antiespuma 1-3 (EHL baixo)
  • Emulsificantes A/O 3-6
  • Agentes molhantes 7-9
  • Emulsificantes O/A 8-18
  • Detergentes 13-16
  • Agentes solubilizantes 16-40 (EHL alto)

Os tensoativos, propriamente ditos, formam sobre a superfície da gotícula filmes do tipo monomolecular (micelas). Já os auxiliares de tensoativos podem formar filme multimolecular, caracterizado pela sobreposição aleatória de polímeros ou adsorção de partículas sólidas.

Cálculo de EHL

Praticamente todos os aspectos físico-químicos discutidos para suspensões são igualmente válidos para emulsões. Entretanto, no que diz respeito ao uso de tensoativos, a adequação ou aproximação dos valores de EHL em emulsões é fundamental para garantia da estabilidade física. Esta adequação é ainda mais gritante no caso de emulsões líquidas, pois do mesmo modo que o aumento da viscosidade retarda a velocidade de sedimentação das partículas, dificulta a coalescência das gotículas e, conseqüentemente, a separação de fases.

No caso de derivados graxos, o equilíbrio hidrófilo-lipófilo (EHL) é determinado em função de parâmetros que incluem peso molecular, índice de saponificação (S) e índice de acidez (A).
EHL 20 . (1 – S / A)

Para compostos não-iônicos, tais como os polímeros hidroxilados, o índice de polaridade da molécula é dado por uma relação entre peso molecular e número de hidroxilas. O índice hidrófilo lipófilo (IHL) de derivados de polioxietileno é determinado em função do número de grupos oxietileno (O) e átomos de carbono da cadeia (C).

IHL = O . 100 / C

Com o valor de EHL de cada componente envolvido na formulação da emulsão O/A ou A/O, pode-se então escolher, de forma criteriosa, o sistema tensoativo ideal.

A) Etapas envolvidas na escolha de sistema tensoativo ideal:

a) Determinar o tipo de emulsão A/O ou O/A

b) Determinar a proporção de cada componente constante na fase oleosa

c) Multiplicar cada valor obtido na fase 2 pelo valor dado de EHL (em geral tabelado).

d) Somar os valores obtidos na fase 3 e determinar o valor de EHL requerido

e) Escolher dentre o(s) tensoativo(s) disponíveis aquele(s) que mais se adequa(m) ao valor de EHL requerido.

Obs: quando os valores de EHL requerido são distintos dos valores dos tensoativos disponíveis, em geral trabalha-se com dois tensoativos, sendo que, obviamente, um
deverá apresentar valor superior e o outro inferior ao valor de EHL requerido. As proporções são calculadas conforme Esquema B, a seguir.

B) Cálculo dos percentuais de tensoativos

a) Escolher o par de tensoativos que irá compor o sistema tensoativo.

b) Atribuir a um tensoativo (A) valor algébrico (x) e ao outro tensoativo (B) valor de (1-x) e aplicar a fórmula abaixo:

EHLreq = x . EHLA + (1-x) . EHLB

c) O valor obtido para x corresponderá à proporção de tensoativo A, que multiplicado por 100 nos dá o valor em percentual. O valor (1 – x) nos dá por sua vez, a proporção necessária de tensoativo B, assim como 100 – (%A) igual (%B).

d) Os valores em gramas podem ser obtidos multiplicando-se a proporção determinada de cada tensoativo pela quantidade em gramas previamente estipulada na formulação.

Obs: em geral as formulações empregam de 3 a 7% de emulsificante. Valores superiores resultariam em desperdício, e inferiores seriam insuficientes para recobrir adequadamente a superfície de todas gotículas.

C) Exemplo de cálculos envolvendo EHL

Calcule as quantidades em gramas de tensoativos para o sistema emulsificante mais adequado às formulações abaixo:

a) Loção hidratante

Cera branca ………………………… 5,0 g
Óleo mineral ……………………… 26,0 g
Óleo de amêndoas ………………. 18,0 g
Lactato de amônia ………………… 4,0 g
Emulsificante(s) …………………… 5,0 g
Água destilada ………. qsp …… 100 mL

b) Creme emoliente

Cera branca ……………….. 40 g
Lanolina …………………….. 10 g
Óleo de amendoim ………. 57 g
Óleo de ricíno………………… 5 g
Emulsificante(s) ……………. 3 %
Água …………………………… 20 g

Dados (EHL A/O e EHL O/A): cera branca (4 e 11); óleo mineral (5 e 12); óleo de amêndoas (6 e 14); lanolina (8 e 11), óleo de rícino (6 e 14).

Com base nas formulações acima pode-se inferir, sem a necessidade de qualquer método de análise, que a fórmula:

a) é uma emulsão O/A, e a

b), A/O.

Esta conclusão se baseia no fato de que sempre que a fase aquosa for superior em proporção será a fase externa. Outrossim, formulações com cerca de 31 % ou mais de água já tornam possível sistemas O/A. Em contrapartida, sempre que a FO for superior a 75 % será a fase externa.

Assim sendo, os valores a serem utilizados na emulsão a) serão os correspondentes à EHL O/A, enquanto para emulsão b) EHL A/O.

Estes valores, por sua vez, são multiplicados pelas respectivas proporções de cada componente da fase oleosa. A somatória nos dará o EHL requerido para cada emulsão.

Cera branca ………… 5,0 / 49 . 11 = 1,12
Óleo mineral ………. 26,0 /49 . 12 = 6,36
Óleo de amêndoas.18,0 / 49 . 14 = 5,18
FO = 5 + 26 + 18 = 49
EHLreq = 1,12 + 6,36 + 5,18 = 12,66

Cera branca ………… 40 / 112 . 4 = 1,43
Lanolina ……………… 10 / 112 . 8 = 0,71
Óleo de amêndoas … 57 / 112 . 6 = 3,05
Óleo de ricíno………… 5 / 112 . 6 = 0,27
FO = 40 + 10 + 57 + 5 = 112
EHLreq = 1,43 + 0,71 + 3,05 + 0,27 = 5,45

Com base no EHL requerido, consulta-se na literatura qual o tensoativo ou sistema tensoativo mais adequado.

Quadro 1 – Valores de EHL para alguns agentes emulsificantes

Nome químico Nome Comercial EHL
Sequioleato de sorbitano Arlacel® 3,7
Monoestearato de sorbitano Span 60® 4,7
Monopalmitato de sorbitano Span 40® 6,7
Monolaurato de sorbitano Span 20® 8,6
Éter láurico de polioxietileno Bryj30® 9,7
Monooleato de polioxietilenosorbitano Tween 81® 10,0
Monoestearato de polioxietileno Myrj 45 ® 11,1
Monolaurato de polioxietilenossorbitano Tween 21® 13,3
Monoleato de polioxietilenossorbitano Tween 80® 15,0
Lauril Sulfato de sódio (LSS) Crodalan AWS 40,0

Como nenhum dos tensoativos apresenta EHL exatamente igual aos EHLs requeridos que são encontrados nos cálculos, utiliza-se dois cujos valores estejam imediatamente superior e inferior ao determinado.

Por exemplo, para emulsão a (EHL req = 12,2), os tensoativos Myrj 45 e Tween 21 podem, nas devidas proporções, resultar num sistema tensoativo de EHL exatamente igual a 12,2.

Para tanto se aplica a fórmula:

EHLreq = x . EHLA + (1-x) . EHLB

Assim, assumindo-se que tensoativo A seja o Myrj 45 e B o Tween 21, substitui-se e determina-se valor de x.

12,2 = 11,1x + 13,3 (1-x)
x = 0,5 = 50%

Ou seja, o sistema tensoativo será composto por 50% do tensoativo Myrj 45 e 50% de Tween 21, o que em gramas corresponderia a 2,5 g de cada.

Já para a emulsão b, os tensoativos com EHL mais próximos do requerido (5,45) são o Span 60 (EHL = 4,7) e o Span 40 (EHL = 6,7).

5,45 = 4,7x + 6,7 (1-x)
x = 0,625, ou seja 62,5% de Span 60 e 37,5% de Span 40.

Considerando que 3% de 132 g (FO + FA) é igua a 3,96 g (~ 4,0 g), o sistema tensoativo ideal para fórmula b será composto por 1,9 g de Span 60 e 2,1 g de Span 40.

Formulação de emulsões

As emulsões líquidas ou semi-sólidas possuem, necessariamente, uma fase aquosa e outra oleosa, as quais são imiscíveis de tal forma que, se faz primordial o uso de tensoativos. De modo geral, cada fase da emulsão é preparada isoladamente, incorporando-se depois uma fase em outra.

A fase aquosa é preparada aquecendo-se a água e nela dissolvendo-se os compostos hidro-solúveis sem exceder a faixa de temperatura de 75-80 ºC. De modo similar, a fase oleosa é também aquecida (ou fundida).

A dispersão da fase interna na externa deve ser feita com ambas as fases praticamente à mesma temperatura (em torno de 70 ºC).

Esta dispersão (mistura) é feita sob agitação constante, sendo invariavelmente necessária a presença de um sistema tensoativo adequado. Ressalta-se que emulsões de uso interno, por apresentarem limitações quanto à gama de tensoativos biocompatíveis, são menos estáveis, devendo-se recomendar a agitação antes do uso.

O fármaco, em geral, é incorporado depois do resfriamento e da formação da emulsão.
Componentes usuais

I) Fase aquosa: a água é a matéria-prima utilizada em quase todos os produtos farmacêuticos.

Freqüentemente constitui o componente mais abundante da formulação em emulsões O/A. Deve ser adequadamente tratada, apresentar carga microbiana baixa ou nula, e preferencialmente ausência de eletrólitos.

II) Fase oleosa: no caso de emulsões A/O a fase oleosa é, invariavelmente, superior em proporção.

A fase oleosa pode ser composta por ampla variedade de substâncias lipofílicas, as quais em geral são responsáveis pela inerente ação emoliente das emulsões. Estas substâncias podem ser de origem:

A) Natural: os óleos de origem vegetal, como óleo de amêndoas, óleo de soja e cera de carnaúba; têm como vantagem ser renováveis. Entre os compostos de origem animal, cada vez menos utilizados para elaboração de cosméticos e medicamentos, destacam-se: lanolina e derivados, espermacete e derivados.

B) Semi-sintética: destacam-se os ácidos graxos, como o ácido esteárico; álcoois graxos superiores, como o álcool cetílico, álcool estearílico e álcool cetoestearílico (misturas comerciais 50:50 e 50:70); ésteres de ácidos graxos e álcoois de cadeia média, como éster decílico do ácido oléico (Cetiol V ®); ésteres de glicerol, como monoestearato de glicerila; ésteres de glicol, como monoestearato de etilenoglicol, o diestearato de etilenoglicol e o monoestearato de dietilenoglicol; e ésteres isopropílicos, como o miristato de isopropila, palmitato de isopropila e estearato de isopropila – que são os mais empregados, seja como espessantes ou como emulsionantes secundários.

C) Sintéticas: de maior destaque temos os silicones, que são compostos orgânicos constituídos por cadeias nas quais alternam-se átomos de silício e oxigênio e que apresentam radicais, tais como metil, etil e fenil, ligados ao átomo de silício.

Podem apresentar, de acordo com características estruturais, além de inércia química, baixa
comedogenicidade, bom espalhamento, baixa pegajosidade e ausência de efeito brilhante quando aplicado na pele. Estas vantagens deram origem aos produtos oil free, que em função de seu aspecto não gorduroso ganham a cada dia mais destaque.

Entre os principais tipos de silicones utilizados em formulações temos:

• Óleos de silicone: formam uma película isolante sobre a pele, repelindo a água, agindo como lubrificante e emoliente (ex.: dimeticona e a fenilmeticona).

• Silicones voláteis: evaporam-se rapidamente quando aplicados, porém são capazes de deixar sobre o local uma fina película (ex.: ciclometiona).

• Silicones emulsionantes: apresentam-se sob a forma emulsionada e podem ser empregados na obtenção de preparações do tipo A/O.

D) Minerais: são hidrocarbonetos extraídos do petróleo cuja inocuidade depende do grau de pureza, pois os mesmos podem conter substâncias carcinogênicas.

Não são saponificáveis e são quimicamente inertes, resistindo à oxidação e à hidrólise. Não apresentam capacidade de penetração percutânea, sendo que o tamanho da cadeia determina ainda propriedades emolientes, oclusivas e espessantes. Destacam-se o óleo mineral, a vaselina e a parafina.

III)Tensoativos: podem ser naturais (saponinas, colesterol, lecitina, lanolina, gomas) ou sintéticos, os quais se subdividem em: aniônico (estearato de sódio, oleato de sódio, laurilsulfato de sódio); catiônicos (cloreto de benzalcônio, cloreto de cetilpiridineo); não- iônicos (ésteres de sorbitano, alquil ésteres de sorbitano); tensoativos anfóteros (aminoácidos).

Para o uso interno são permitidos os tensoativos naturais como gomas, gelatina, lecitina, ou sintéticos, como monoestearato de glicerilo, Spans® e Tweens®.

Observação: a combinação de ceras e tensoativos deu origem a produtos comerciais denominados “ceras auto-emulsionantes”, cuja composição, embora varie de fabricante para fabricante, integra um ou mais tensoativos e substâncias graxas sólidas, dentre as quais destacam-se os álcoois graxos superiores.

O tipo de sistema tensoativo presente na cera auto-emulsionante determina sua natureza aniônica, catiônica ou não-iônica.

Outrossim, uma vez que a adição de ativos de carga contrária pode ocasionar a desestabilização da emulsão, as ceras ditas não-iônicas apresentam vantagens sobre as demais, já que o risco de incompatibilidades é menor. Em contrapartida, as ceras auto-emulsionantes à base de tensoativos catiônicos apresentam ainda a desvantagem de serem mais irritantes.

IV) Outros coadjuvantes: incluem conservantes (parabenos, bronopol, imidazolidinil uréia, 2-fenoxietanol, metilcloroisotiazolinona e metilisotiazolinona), espessantes (álcool cetílico, álcool estearílico e ácido esteárico), gelificantes (Carbopol®, gomas e hidroxietilcelulose), umectantes (glicerina, sorbitol e propilenoglicol), e eventualmente edulcorantes, flavorizantes, aromatizantes e corantes.

FONTE: APOSTILA DE EMULSÕES DA PROFª. LUANA OLIVEIRA – UNIP

Formas Farmacêuticas – Pós – Parte II

I – Pós simples e compostos.

I.1 Processos de pulverização de pós.

1 – PULVERIZAçÃO POR ATRITO OU TRITURAçÃO.

  • Usado para drogas em geral.
  • Utiliza movimentos do pistilo em espiral.
  • Usa gral de porcelana e/ou vidro.

2 – PULVERIZAçÃO POR CONTUSÃO OU CHOQUE.

  • Usado para drogas vegetais brutas ou para produtos químicos na forma de cristais grandes.
  • Utiliza movimentos do pistilo em vertical (“ato de bater na droga”).
  • Usa gral de ferro ou de materiais ainda mais duros.

3 – PULVERIZAçÃO POR MOINHOS (ESCALA INDUSTRIAL).

  • Moinho de faca ou martelo.
  • Moinho de bolas.

4 – PROCESSOS ESPECIAIS

4.1 – Pulverização por intermédio:

Intermédio é uma substância estranha que facilita a redução da segunda substância em pó.

O intermédio pode ser líquido, sólido ou gasoso:
Exemplos: Substância Intermédio

Mentol ou canfora Éter ou álcool (líquido)
Baunilha Acúcar (sólido)

4.2 – Pulverização química.

4.2.1 – Hidratação.

CaO + H2O = Ca(OH)2 (Água de cal)

4.2.2 – Desidratação.

CuSO4.5H2O + Aquecimento ® CuSO4¯ + 5H2O

Contra-exemplo:

Na2SO4.10H2O ou Na3PO4.12H2O + Aquecimento ® Funde ou encrosta (não desidrata)

4.2.3 – Reação química.

CaCl2 + Na2CO3 ® CaCO3¯ + 2NaCl

I.2 Tamisação.

Tem por finalidade obter pós com a mesma tenuidade (tamanho médio similar). É feita em tamises que são classificados como está descrito na tabela.

Tamis no (Mesh) Abertura (mm) Pó
2 9,52 – Muito Grosso
8 2,38 – Muito Grosso
10 2,00 – Muito Grosso
20 0,84 – Grosso
30 0,59 – Grosso
40 0,42 – Moderadamente Grosso
50 0,297 – Moderadamente Grosso
60 0,250 – Fino
80 1,177 – Muito Fino
120 0,125 – Muito Fino
200 0,074 – Micronizados
325 0,044 – Micronizados

I.3 Homogeneização de pós.

Deve ser feita com pós de tenuidade similares. Ela pode ser feita por trituração, espatulação, tamisação ou mistura (saco plástico ou misturador em V).

I.4 Problemas relacionados a manipulação de pós.

Problema – Medida corretiva

Formação de mistura eutética (pós se liquefazem à temperatura ambiente após serem misturados em determinada proporção).

Interpor entre os pós incompatíveis um pó absorvente de elevada temperatura de fusão (exs: MgCO3, MgO, caulim, amido, talco,
etc.).

Formação de misturas explosivas (trituração de agentes oxidantes e redutores fortes).

Evitar ou interpor pós inertes entre o agente oxidante e o redutor.

Pós Higroscópicos (absorvem umidade do ar) e Deliqüescentes (se liquefazem total ou
parcialmente).

Controlar a umidade relativa do ar, granular os pós, manipular evitando a exposição à atmosfera úmida, adicionar um pó absorvente à preparação.

Pós eflorescentes (aqueles que possuem água de hidratação que é liberada tornando o pó pastoso ou liquefeito).

Substituir o pó hidratado pelo anidro ou secar o pó antes de manipula-lo.

Pós leves e “fofos”.

Compactar com álcool ou óleo mineral.

Pós de difícil escoamento.

Acrescentar estearato de magnésio em concentração inferior a 1%.

Pós com carga estática.

Neutralizar as cargas com laurilsulfato de sódio em concentração inferior a 1%.

Incorporar líquidos à pós. Além do líquido acrescentar um pó absorvente; concentrar o líquido até uma consistência mais viscosa.

I.5 Regras gerais para a preparação de pós compostos.

  1. Antes iniciar a preparação do pó composto, verifique se existe incompatibilidade entre os pós simples. Caso haja alguma incompatibilidade, verifique qual seria a maneira de eliminar essa incompatibilidade.
  2. Pulverize em gral (de vidro para substâncias coloridas ou com cheiro) e tamise isoladamente cada um dos pós presentes na fórmula. Caso necessário utilize um intermédio.
  3. No caso de haver um pó em quantidade muito pequena, acrescente um corante visando facilitar a visualização da mistura.
  4. Homogeneíze seguindo a Regra do Mistão (ordem crescente de quantidade) adicionando o excipiente em qsp, por último. Misture em um gral utilizando o método da diluição geométrica. Tamise a mistura final.
  5. Envase em frasco de vidro âmbar ou em um saco plástico de tamanho compatível com o volume formulado visando obter uma melhor estética e até mesmo dificultar degradações. Antes do envase verifique a compatibilidade da preparação com o material de envase.
  6. Rotule e registre.

I.6 Pós diluídos.

A maioria das substâncias encontradas no mercado, diluídas (Vitamina E à 50% e Betacaroteno à 10%, por exemplo) ou não, são de fácil pesagem em relação a dose desejada. Entretanto, são também encontrados princípios ativos muito potentes em baixa concentração (drogas heróicas).

Estas drogas podem ser diluídas de tal forma que a dosagem seja de fácil pesagem, evitando riscos de sobredosagens. Usualmente, esta diluição é feita utilizando um pó inerte tal como a lactose, o talco, o amido, etc.

Após escolher o diluente de acordo com a sua compatibilidade em relação ao princípio ativo e com a formulação a ser empregada, o princípio ativo é diluído à 1:10 (exemplos: Alprazolam, Clonazepam, Diazepam, Prednisolona, etc.), 1:100 (exemplos: Bumetamida, Clonidina, Digitoxina, Digoxina, Fludrocortisona, etc.) ou à 1:1000 (exemplos: T3, T4) antes de ser estocado.

Estes pós diluídos; denominados respectivamente de pós decimais, centesimais ou milesimais; são os empregados no momento de elaborar a formulação.

Fórmula geral de um pó centesimal:

Princípio ativo 1 g
Corante qs (usualmente 0,1 à 0,5%)
Excipiente qsp 100 g

I.7 Pós efervescentes.

1- INTRODUÇÃO

A efervescência destina-se a proporcionar um paladar agradável, corrigindo eventualmente o gosto de certos fármacos utilizando as propriedades ácidas do CO2, o qual vai ainda atuar secundáriamente como estabilizante da mucosa gástrica, podendo aumentar a absorção do medicamento.

A efervescência é conseguida à custa da reação de um carbonato ou bicarbonato com um ácido orgânico, como o cítrico ou o tartárico, na presença da água usada para a ingestão do medicamento, produzindo-se a liberação de CO2.

Geralmente usa-se uma quantidade fixa e arbitrária de ácido tartárico, ácido cítrico ou NaH2PO4, podendo ainda associarem-se estes três compostos. A quantidade de NaHCO3 que é necessária adicionar pode-se calcular em função da acidez conferida pelos ácidos e o NaH2PO4, de tal modo que a reação entre eles em presença de água, gera uma solução próximo da neutralidade.

Os pós efervescentes constituem uma fórmula dotada de má conservação, pois absorvem facilmente umidade atmosférica dada a grande superfície que apresentam.
É por isso que eles são geralmente substituídos por granulados, menos sujeitos a esta alteração.

2 – CÁLCULO DAS QUANTIDADES DE PÓS RESPONSÁVEIS PELA EFERVESCÊNCIA.

Exemplo: 10 g de ácido cítrico + 10 g de ácido tartárico + 15 g de NaH2PO4.

(a) Ácido cítrico, HOOC-CH2-COH(COOH)-CH2-COOH . H2O, MM=210

C6H8O7.H2O + 3NaHCO3 = Na3C6H5O7 + 3CO2 + 4H2O

210 g de Ácido cítrico 3 x 84 g NaHCO3
10 g X = 12 g de NaHCO3

(b) Ácido tartárico, HOOC-CHOH-CHOH-COOH, MM=150

C4H6O6 + 2NaHCO3 = Na2C4H4O6 + 2CO2 + 2H2O

150 g de Ácido tartárico 2 x 84 g de NaHCO3

10 g Y = 11,2 g de NaHCO3

(c) NaH2PO4, MM=120

NaH2PO4 + NaHCO3 = Na2HPO4 + CO2 + H2O
120 g de NaH2PO4 84 g de NaHCO3
15 g Z = 10,5 g de NaHCO3

(d) NaHCO3 total = X + Y + Z = 12,0 g + 11,2 g + 10,5 g = 33,7 g

3 – REGRAS GERAIS PARA A PREPARAÇÃO DE PÓS EFERVESCENTES.

Além das regras utilizadas para a preparação de pós compostos, devemos:

a – Logo após a pulverização e tamisação de cada um dos pós presentes na fórmula, secar cada um desses pós em estufa à 50-60°C durante 20 minutos.

b – Pulverizar e tamisar isoladamente cada um dos pós secos, misturá-los em um gral. Secar o pó composto obtido em estufa à 50°C durante 20 minutos aproximadamente.

c – Após o término da etapa anterior, caso necessário, tamisar a mistura final obtida. embalar, rotular e registrar conforme as mesmas exigências dos pós compostos acima descritas.

FONTE: APOSTILA DE PÓS – FARMACOTÉCNICA – MSC. LUANA OLIVEIRA – UNIP

Formas Farmacêuticas – Plásticas ou Semi-Sólidas

3.2 FORMAS PLÁSTICAS OU SEMI-SÓLIDAS
São formas farmacêuticas consistentes e pegajosas de aparência translúcida ou opaca, destinadas à aplicação na pele ou mucosas. As indicações dependem do grau de absorção percutâneo.
Para ação tópica epidérmica destacam-se as ações emoliente, antimicrobiana, desodorizante, protetora etc.
Para ação tópica endodérmica destacam-se as ações antiinflamatória, anestésica local e antimicótica.
Para ação hipodérmica destacam-se antiinflamatórios, anestésicos locais, hormônios.
Outras formas plásticas incluem supositórios, óvulos e velas (descritos no item 3.2.3.3), que apresentam consistência mais firme e são destinados respectivamente à mucosa retal, vaginal e uretral.
3.2.1 Penetrabilidade percutânea
A penetrabilidade percutânea das formas semi-sólidas depende de fatores intrínsecos e extrínsecos.
Entre os fatores intrínsecos destacam-se o coeficiente de partição, coeficiente de difusão, solubilidade e peso molecular do fármaco, todos decisivos para a penetrabilidade.
No que diz respeito aos fatores extrínsecos destacam-se a temperatura, aspectos anatomo-fisiológicos (área aplicada, tipo de pele*, etc.), forma de aplicação (massagem, iontoforese etc) e forma farmacêutica.
*O tipo de pele determina o grau de hidratação, espessura e constituição da emulsão epitelial, pode depender de fatores como idade, hereditariedade, dieta, medicação e patologias.
No que diz respeito à forma farmacêutica, destacam-se como fatores positivos para a penetração percutânea:
• O poder oclusivo das substâncias graxas ou oleosas aumenta a hidratação da pele e absorção;
• Bases nas quais o fármaco é pouco solúvel aumentam a cedência do mesmo para a pele;
• Uso de promotores de absorção (Dimetilsulfóxido-DMSO, dimetilformamida-DMF, dimetilacetamida-DMA, uréia, propilenoglicol, tensoativos…);
• Uso de substâncias altamente higroscópicas tendem a aumentar o conteúdo de água na pele, facilitando a absorção de fármacos hidrofílicos (aniônicos, catiônicos e não-iônicos);
• Uso de bases contendo óleos de origem animal (lanolina, espermacete) apresentam maior afinidade com a emulsão epidérmica e viabilizam a absorção.
3.2.2 Classificação das formas semi-sólidas
As formas semi-sólidas são classificadas sob vários critérios, incluindo penetrabilidade, características físico-químicas e físicas.
Quanto à penetrabilidade as formas semi-sólidas podem ser: epidérmicas, endodérmicas ou diadérmicas. Quanto às características físico-químicas as formas plásticas podem ser do tipo solução (pomadas, géis, óvulos e supositórios), suspensão (pastas) ou emulsão (cremes), características determinantes na técnica de preparo das pomadas.
Quanto às características físicas, ou aspecto, as formas semi-sólidas são classificadas em:
• Pomadas propriamente ditas hidrófobas: “São formas semi-sólidas translúcidas, pegajosas e consistentes que absorvem pouquíssima água , compostas de mistura de hidrocarbonetos líquidos e sólidos; ceras, silicones ou outras substâncias graxas, as quais são submetidas à fusão”.
• Pomadas propriamente ditas hidrófilas: são formas miscíveis com a água, compostas por uma mistura de polímeros hidrófilos (PEG) de pesos moleculares distintos (PEG 400 + PEG 4000). São consistentes, removíveis com água e de aparência translúcida.
• Pastas: são formas farmacêuticas de consistência semi-sólida, que encerram boa proporção de partículas sólidas insolúveis (~20-50%). Eficazes para absorver secreções de lesões. São formuladas com excipientes de características graxas ou aquosas e destinadas à aplicação na pele ou mucosas.
• Cremes e loções: são formas emulsionadas de aparência opaca, cuja viscosidade depende da composição e do tipo de fase externa; cremes O/A (hidrófilos) são em geral menos viscosos que os A/O (hidrófobos). O = óleo e A=água.
• Géis: sistemas semi-sólidos constituídos por uma matriz polimérica (natural ou sintética) dispersa em fase líquida (água ou óleo de parafina). Gel hidrófilo (água e polímeros); gel hidrófobo (óleo mineral e PEG).
Gel hidrófobo pode ser classificado como pomada hidrófoba.
3.2.3 Preparação de formas plásticas
As formas plásticas (semi-sólidas) podem ser obtidas por dissolução ou dispersão mecânica, com ou sem fusão dos componentes sólidos em veículos apropriados. Os princípios seguidos no preparo das diferentes formas líquidas (soluções, suspensões e emulsões) são também válidos para formas plásticas dos tipos solução, suspensão e emulsão.
Assim sendo, as técnicas a serem empregadas dependerão não só das características físico-químicas dos fármacos e coadjuvantes, como também do veículo.
O veículo deve ter consistência adequada (boa espalhabilidade), ser bem tolerado, não apresentar incompatibilidades, apresentar cedência adequada a cada tipo de fármaco para melhor permeação, ser estável, ser preferencialmente lavável e esterilizável.
Os veículos podem ser constituídos por componentes:
A) HIDRÓFOBOS
Ceras: são usadas para aumentar a consistência das pomadas, e embora não laváveis, podem absorver água. Em geral, apresentam poucas incompatibilidades. Como
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores
exemplos cita-se a lanolina, cera de abelhas, cera de cacau, espermacete e palmitato de cetila.
Hidrocarbonetos: são bases oclusivas, inibindo a evaporação normal da pele. Não absorvem e não são laváveis com água, apresentam muito pouca incompatibilidade e elevada estabilidade química. Parafina (derivado de hidrocarboneto de alto PM) e vaselina pastosa (derivado de PM intermediário) são emolientes e espessantes, sendo que a parafina tem emprego como endurecedora de supositórios. Já o óleo mineral, vaselina líquida ou parafina líquida possuem cadeia menor e são usados para diminuir a consistência de formas plásticas em geral (inclusive como amolecedores de supositórios e óvulos).
Silicones: são bastante estáveis e fisiologicamente inertes, usados quando se pretende obter fórmulas altamente hidrófobas.
B) HIDRÓFILOS
Polietilenoglicóis (PEGs): a consistência adequada é determinada pela mistura de polímeros sólidos e líquidos (PEG 4000 e PEG 400, Carbowax®). Possuem boa aderência, boa espalhabilidade, não são oclusivos, podem ser misturados a vaselinas, lanolinas e óleos vegetais. São estáveis, laváveis com água, incompatíveis com vários conservantes.
Produtos minerais: são partículas inorgânicas finamente divididas que formam sistemas coloidais liofóbos (géis). Exemplos: bentonita e dióxido de silício (Aerosil®).
Derivados de celulose: são polímeros orgânicos hidrofílicos utilizados como agentes doadores de consistência em géis típicos (liófilos). Ésteres de celulose como metilcelulose (MC), hidroxietilcelulose (HEC), carboximetilcelulose (CMC) e seu sal sódico (CMC-Na), bem como outros polímeros orgânicos, tais como alginato de sódio, PVA, ácido poliacrílico (Carbopol®), são exemplos de componentes utilizados em veículos para géis, que geralmente integram 80 a 98% de água. São todos laváveis com água; podem deixar resíduo sólido na pele e apresentam várias incompatibilidades.
C) EMULSIONADOS
Emulsões A/O: agentes espessantes e emulsificantes, como monoestearato de glicerila, colesterol e álcool cetílico podem ser adicionados para aumentar a estabilidade.
Destaque para o Cold Cream, que forma um filme protetor sobre a pele diminuindo a evaporação de água.
Emulsões O/A: são mais empregadas devido a vantagens como fácil remoção da água. Formam um filme na superfície da pele quando a água evapora. Destaque para diadermina, com elevado poder desengordurante. Entre os agentes espessante
s temos o ácido esteárico saponificado, e ceras auto-emulsionáveis à base de álcool cetílico e estearílico associadas a tensoativos.
Outros componentes usualmente empregados em formas plásticas incluem umectantes, conservantes, antioxidantes e, eventualmente, corantes e aromatizantes.
3.2.3.1 Géis
Os géis são formas farmacêuticas ou cosméticas obtidas a partir da hidratação de alguns compostos orgânicos macromoleculares ou de compostos inorgânicos gelificantes. São preparações livres de gorduras (oil-free)*, cujo teor de água é bastante elevado, sendo em geral facilmente laváveis. Estas características fazem dos géis produtos de consumo em expansão. Entre as desvantagens destacam-se a baixa penetrabilidade percutânea (exceto géis transdérmicos**) e maior susceptibilidade à contaminação microbiana, fato também relacionado ao elevado teor de água (80 a 98%).
Dependendo do tipo de agente gelificante os géis podem ser liófilos (polímeros hidrofílicos) ou liófobos (argilas, bentonita). Do ponto de vista físico-químico os géis são considerados dispersões coloidais, em geral liófílas, transparentes e tixotrópicas***.
*OLEOGÉIS: são produtos contendo 90 a 95% de óleo, espessados por agentes gelificantes não-hidrossolúveis, como por exemplo sílicas e argilas. Assemelham-se às pastas, mas são mais fluidos.
**GÉIS TRANSDÉRMICOS: são, na verdade, microemulsões de uma fase hidrossolúvel, que é o gel aquoso de polaxamer 407 (20 a 40%), e de uma fase lipossolúvel composta de uma solução de lecitina granulada e palmitato de isopropila. O Pluronic® Lecithin Organogel (PLO) é uma microemulsão lipossomal fosfolipídica empregada para administração de fármacos via transdérmica.
**TIXOTROPIA: fenômeno associado à diminuição da viscosidade do sistema provocado por forças mecânicas, sendo, porém, reversível quando em repouso.
I) Os componentes usuais
Os principais coadjuvantes técnicos na formulação de géis são: gelificantes, umectantes, conservantes, antioxidantes e agentes quelantes entre outros.
O termo gelificante refere-se aos espessantes utilizados na elaboração de géis, ou seja, os veículos hidrófilos. Em geral são polímeros que possuem a propriedade de, quando em solução aquosa, aumentar a viscosidade do sistema, quer diretamente ou após sua neutralização. Quanto à estrutura coerente de gel, os gelificantes podem formar géis de esqueleto coloidal linear (polímeros derivados de celulose), esqueleto coloidal laminar (argilas) ou esqueleto esfero-coloidal (dióxido de silício de alta dispersão).
a) Gelificantes: entre os principais gelificantes destacam-se:
Carbômeros: polímeros sintéticos do ácido poliacrílico solúveis em água (ex.: Carbopol®, Synthalen®). Adquirem maior consistência com a neutralização das cargas superficiais (viscosidade ideal pH 6-8). Concentração usual : 0,5-1,5%.
Hidroxietilcelulose (HEC): é um polímero derivado da celulose, não-iônico (Natrosol®, Cellosize®), disponível em diversos graus de peso molecular. È compatível com eletrólitos e possui menor sensibilidade ao pH do meio. Como vantagens, destaca-se a facilidade de dispersão, a qual pode ser obtida sob agitação em água fria. Porém a formação da estrutura coerente do gel (rede) ocorre mais rapidamente com aquecimento. Como desvantagem apresenta maior risco de contaminação microbiana. Concentração usual 1,0-3,0%.
b) Umectantes: são utilizados para evitar a perda de água da formulação, conferindo ao gel maior elasticidade (melhor espalhamento). Entre os mais utilizados temos a glicerina, o propilenoglicol e o sorbitol. A concentração usual gira em torno de 5%.
c) Outros coadjuvantes
Especialmente para géis o uso de conservantes é indispensável à formulação, principalmente de géis obtidos com geleificantes naturais, já que apresentam grande susceptibilidade ao desenvolvimento microbiano. Parabenos, imidazolidiniluréia (germal 115®) e 5-bromo-5-nitro-1,3-dioxano (Bronidox L®) são alguns dos mais utilizados.
Os agentes quelantes são particularmente importantes para os géis, pois inativam por complexação metais pesados e alcalinos terrosos, bem como potencializam a ação de alguns antimicrobianos. Entre os problemas causados por estes metais nas formulações destacam-se:
Reação com ânions, levando à precipitação;
Oxidação de corantes e essências;
Inativação de antimicrobianos.
II) Produção de géis
A fase mais crítica na preparação de géis refere-se à hidratação do polímero. Esta deve ser feita de modo criterioso e gradual. A adição de excesso de água pode levar à formação de grumos que dificultam a dispersão mecânica de forma a comprometer a homogeneidade ou a uniformidade da formulação.
A adição de outros adjuvantes (ex.: solubilizantes), bem como o acerto de volume e pH, devem ser feitos só após a homogenização (uniformização) parcial do veículo.

Formas Farmacêuticas – Pós – Parte 1

1 PÓS

Pós são formas farmacêuticas sólidas constituídas por um ou mais princípios ativos, adicionados ou não de adjuvantes, pulverizados e misturados homogeneamente. Apresentam vantagens como:

Viabilidade de obtenção de outras formas farmacêuticas (comprimidos, drágeas, cápsulas, suspensões, pomadas, soluções);

  • Fácil dissolução;
  • Fácil absorção;
  • Efeito mais rápido e regular.

Entre as desvantagens destacam-se:

  • Inconveniente na ingestão;
  • Estabilidade;
  • Dificuldade de proteção da decomposição dos pós contendo materiais higroscópicos.

1.1 Classificação dos pós medicamentosos

I) QUANTO À APLICAÇÃO

  • Uso interno: podem constituir solução no momento da administração.
  • Uso externo: devem possuir boa espalhabilidade e tenuidade e não devem causar irritação local.

II) Quanto à constituição

  • Pós simples.
  • Pós compostos.

III) Quanto ao tamanho da partícula

Os pós podem se classificar de acordo com a abertura do poro do tamis em:

  • Pó grosseiro: malha de 850 μm (20).
    Tamis 20 (não mais que 60% tamis 40).
  • Pó medianamente grosseiro: malha de 425 μm (40).
    Tamis 40 (não mais que 60 % tamis 60).
  • Pó fino: malha de 180 μm (80).
    Tamis 80.
  • Pó muito fino: malha 125 μm (120).
    Tamis 120.

1.2 Parâmetros fundamentais

a) Tamanho da partícula: pode interferir em processos de mistura, dissolução e biodisponibilidade. Pode variar de alguns milímetros a menos que 1 μm (coloidal). São micro-pós as partículas menores que 10 μm. A granulometria das partículas é dada em função da abertura de malha ou número do tamis.

Quadro: Abertura da malha x número Tamis

Número do tamis μ malha
2 9,5 mm
4 4,75 mm
8 2,36 mm
10 2,00 mm
20 850 μm
40 425 μm
60 250 μm
80 180 μm
100 150 μm
120 125 μm
200 75 μm
400 38 μm

Processos dependentes do tamanho da partícula:

  1. Velocidade de dissolução;
  2. Suspensibilidade;
  3. Uniformidade na distribuição;
  4. Tecnologia de obtenção de comprimidos e cápsulas;
  5. Penetrabilidade (partículas inaladas: 1 a 5 μm);
  6. Espalhabilidade (não aspereza < 100 μm)

b) Características superfíciais (porosidade e cargas): podem facilitar a adsorção de gases ou vapores, interferindo na estabilidade, solubilidade, compressibilidade e aspectos reológicos. Em suspensões líquidas a presença de carga pode levar a sedimentação isolada (compacta) e o excesso de porosidade pode afetar a molhabilidade.

c) Propriedades de fluxo: a escoabilidade de um pó depende do tamanho, da forma, da densidade e das características de superfície (especialmente as que estão relacionadas às forças de coesão e formação de películas em torno das partículas).

1.3 Etapas de obtenção

As etapas de obtenção incluem pesagem e outras operações preliminares, como triagem e estabilização, seguido por secagem, pulverização, tamisação, mistura e se necessário nova secagem.

I) Operações preliminares: triagem (ex.: matérias-primas vegetais), estabilização (inativação de enzimas, secagem para eliminar excesso de umidade).

II) Pulverização: subdivisão das partículas. Em pequena escala pode ser feita por:

  • • Contusão: almofariz de bronze ou ferro (drogas vegetais);
  • • Trituração: almofariz de procelana e vidro (drogas cristalinas);
  • • Intermédio: a trituração é feita com líquidos ou com outros sólidos (no caso de substâncias com estrutura amorfa);
  • • Fricção: a trituração é feita sobre um tamis invertido (aplicada a substâncias friáveis e moles).

Já em grande escala emprega moinhos, que podem basear-se em três princípios:

  • • Atrito: fricção entre duas superfícies (moinho micronizador);
  • • Laminagem: uso de moinhos de placas;
  • • Impacto: uso de moinho de martelos e barras que giram em alta velocidade.

III) Tamisação: processo destinado à padronização do tamanho de partículas através de passagem do pó por uma peneira de malha definida designada tamis.

Entre os problemas da falta de uniformidade de tamanho de partículas estão os mecanismos de segregação, nos quais partículas maiores e mais pesadas tendem a se separar das menores, mais leves. Este fato se opõe à uniformidade mínima requerida para uma mistura medicamentosa.

Por outro lado, a seleção de partículas garante a obtenção de partículas com tenuidade adequada, diminuindo riscos de irritação, promovendo estabilidade física, dissolução e absorção.

IV) Mistura

Para eficiência desta etapa todos os componentes devem ter o mesmo tamanho de partícula.

Regras básicas de mistura:

  • • Quantidades desiguais: inicia-se pelo de menor quantidade misturando com diluente;
  • • Substâncias potentes: diluição geométrica com auxilio de indicador (corante);
  • • Misturas explosivas: pulverização separadamente;
  • • Misturas de substâncias higroscópicas, eutéticas ou voláteis: por intermédio de diluentes absorventes (ex.: sílicas);
  • • Pós elásticos ou plásticos: mistura e trituração por intermédio de partículas duras;

Pós que sofrem caking por pressão leve: mistura e trituração por intermédio de solvente volátil;

  • • Pós tóxicos: uso de capela e Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s);
  • • Conservantes: são previamente solubilizados em solventes voláteis.

A mistura de pós ou granulados pode ser feita em pequena escala com auxílio de gral, almofariz ou tamis.

Já em grande escala, utilizam-se misturadores por tombamento (misturadores em V) para pós secos, ou masseiras para pós umedecidos.

V) Secagem

Antecede a mistura dos pós, realizada em estufas com sistemas blindados e captura de vapores de solventes. O controle é feito pela avaliação do teor de umidade.

Parâmetros importantes: temperatura (40 a 70 ºC) e tempo (até 12 horas)

1.4 Pós para uso externo

I) Requisitos

• Não devem ser irritantes: tamis 40-100 (< 100 μm).
• Ausência de ação sistêmica.
• Boa aderência (fixação sobre a pele): quanto menor a partícula, maior a aderência.
• Espalhabilidade adequada.
• Boa capacidade de adsorção de líquidos.
• A facilidade de fluidez depende de lubrificantes.
• Boa conservação: passíveis de esterilização (calor seco a 150 ºC, óxido de etileno, radiações γ) ou combinados a sistemas conservantes eficazes.
• Compatibilidade entre componentes.
• Uniformidade de tamanho de partículas.

II) Bases para pós de uso externo

Devem apresentar características como boa aderência, capacidade de lubrificação, capacidade de adsorção de líquidos e boa fluidez. Podem ser classificadas em: orgânicas ou inorgânicas, e naturais ou sintéticas.

A) Bases inorgânicas

Entre as bases inorgânicas destacam-se o talco, óxido de zinco, carbonato de magnésio, dióxido de titânio e dióxido de silício.

Talco: é um hidroxipolissilicato de magnésio de origem natural, quimicamente inerte, untuoso, insolúvel em água, comum nos pós de uso externo, boa aderência e boa fluidez, baixa capacidade de adsorção de água.

Óxido de zinco: pó cristalino, bom adsorvente de água e óleo, boa fluidez, baixa aderência, ação anti-séptica e adstringente.

Dióxido de titânio: bom poder de cobertura, boa fluidez e aderência, quimicamente inerte.

Óxido de magnésio: excelente capacidade de adsorção de água e aderência. Baixa fluidez.

Carbonato de magnésio: boas propriedades aderentes, boa capacidade de adsorção de água.

Baixa fluidez.

Dióxido de silício de alta dispersão (Aerosil®): boa aderência e fluidez, grande capacidade de adsorção de água e óleo. Uso em torno de 0,5 a 3,0%. Otimiza a formulação de pós tópicos.

B) Bases orgânicas

Entre as bases orgânicas temos estearatos, lactose e amido.

Estearatos: são utilizados os de alumínio, magnésio e de zinco. São untuosos, não adsorvem água nem óleo, possuem bom poder aderente e efeito refrescante sobre a pele. Também são utilizados como adjuvantes para outras bases na faixa de 1-5 %.

Amido: alta aderência, boa fluidez, boa capacidade de adsorção de água e óleo. Embora de baixo custo constitui, quando úmido, excelente substrato para crescimento microbiano.

Lactose: baixa fluidez, baixo poder aderente. Utilizada para pós absorvíveis.

III) Pós para uso externo especiais

Pós refrescantes: amido ~ 95% e estearatos ~ 5%.

Pós hidrorepelentes: contém 2 a 10% de substâncias graxas (lanolina, óleo mineral) incorporadas no pó.

Pós adstringentes: contêm substâncias adstringentes, como taninos e sais de bismuto, incorporados em talcos ou amido.

Pós antipruriginosos e analgésicos: mentol, cânfora e calamina misturados a uma base de boa aderência (amido e talco).

Pós anti-sépticos: ácido salicílico, ácido bórico em bases aderentes e com boa capacidade de adsorção de água (óxido de zinco, amido e talco).

1.5 Pós para uso interno

I) Requisitos

• Permitir solubilização dos ativos.
• Quando efervescentes (trituração de ácido e base separadamente)
• Garantir sabor e odor agradáveis.
• Boa conservação
• Compatibilidade entre componentes

FONTE: APOSTILA DE FARMACOTÉCNICA – PÓS – MSC. LUANA OLIVEIRA – UNIP

Exercícios de Farmacotécnica – cápsulas

Exercícios – Feq e Fc

1-  Preparar 15 cápsulas de ambroxol 30 mg.

Dados:

Fármaco referência: cloridrato de ambroxol

Matéria prima disponível: cloridrato de ambroxol

MMambroxol= 378.07 g/mol

MMcloridrato de ambroxol= 414,57 g/mol

a)  Feq: não há

b) Massa de fármaco a ser pesada: 0,45 g

 

2- Preparar 10 cápsulas de maleato de domperidona 20 mg.

Dados:

Fármaco referência: domperidona

Matéria prima disponível: maleato de domperidona

MMdomperidona= 425,92 g/mol

MMmaleato de domperidona= 541,92 g/mol

c)  Feq: 1,27

d)  Massa de fármaco a ser pesada: 0,254 g

 

3- Preparar 30 cápsulas de sulfato de amicacina 100 mg. Qual a massa em g a ser pesada?

Dados:

Fármaco referência: amicacina

Matéria prima disponível: Sulfato de amicacina

MMamicacina= 585,61 g/mol

MMsulfato amicacina= 781,77 g/mol

iamicacina=1

isulfato amicacina= 1

a)  Feq: 1,33

b) Massade fármaco a ser pesada: 3,99 g

 

 

 

 

4- Preparar 60 cápsulas de isoflavonas 40 mg.

Dados:

Fármaco referência: isoflavonas

Matéria prima disponível: isoflavonas a 40%

a)  Fc: 2,5

b) Massade fármaco a ser pesada: 6 g

 

5- Preparar 25 cápsulas magnésio quelato 100 mg e cálcio quelato 200 mg.

Dados:

Fármaco referência: magnésio quelato

Matéria prima disponível: magnésio quelato a 9,8%

Fármaco referência: cálcio quelato

Matéria prima disponível: cálcio quelato a 10,0%

a)  Fc magnésio quelato: 10,2

b) Massa de fármaco a ser pesada: 25,5 g

c)  Fc cálcio quelato: 10

d)  Massa de fármaco a ser pesada: 50,0 g

 

6- Preparar 60 cápsulas de sulfato de glucosamina 500 mg.

Dados: fármaco referência: glucosamina sulfato

Matéria prima disponível: glucosamina sulfato potássico

MMglucosamina sulfato: 456,19 g/mol

MMglucosamina sulf.potássico: 605,54 g/mol

i= 1

dglucosamina sulf.potássio: 0,4 g/mL

dexcipiente: 0,7 g/mL

 

a)     Qual a cápsula utilizada?

00

b)    Qual a massa de fármaco utilizada?

39,9 g

c)     Qual a massa de excipiente utilizada?

10,1 g

d)     Como será o rótulo?

Sulfato de glucosamina (como glucosamina sulfato potássico) ou

Sulfato de glucosamina (como sal postássico)

 

7- Preparar 10 cápsulas de pefloxacina 400 mg.

Dados: fármaco referência: pefloxacina

Matéria prima disponível: mesilato de pefloxacina

MMpefloxacina: 333,36 g/mol

MMmesilato pefloxacina: 465,50 g/mol

i= 1

dmesilato pefloxacina: 0,65 g/mL

dexcipiente: 0,8 g/mL

 

a)     Qual a cápsula utilizada?

Resp: OO

b)     Qual a massa de fármaco utilizada?

Resp: 5,6 g

c)     Qual a massa de excipiente utilizada?

Resp: 0,72 g

d)     Como será o rótulo?

Resp: Pefloxacina (como mesilato) 400 mg

e)     Sabendo que os conteúdos das cápsulas possuem as seguintes massas (em g), calcule a variação de peso e responda se este lote será ou não aprovado.

 

    Dados: teste de doseamento: 100,5% da quantidade declarada

    Peso médio das unidades usadas no doseamento: 0,7577 g

Conteúdo

Xi

1- 0,7385 g 97,95
2- 0,7894 g 104,70
3- 0,7996 g 106,06
4- 0,7555 g 100,21
5- 0,7668g 101,71
6- 0,7945 g 105,38
7- 0,7854 g 104,17
8- 0,7432 g 98,58
9- 0,7535 g 99,94
10- 0,7789 g 103,31

VA= K.s

VA= 2,4 . 2,92

VA= 7,0

É menor do que 15, portanto aprovado.

 

8- Preparar 120 cápsulas de L-lisina 100 mg.

Dados: fármaco referência: L-lisina

Matéria prima disponível: cloridrato de L-lisina

MML-Lisina: 146,19 g/mol

MMcloridrato de L-lisina: 182,64 g/mol

i= 1

dcloridrato de L-lisina: 0,5 g/mL

dexcipiente: 0,55 g/mL

 

a)     Qual a cápsula utilizada?

3

b)    Qual a massa de fármaco utilizada?

15 g

c)     Qual a massa de excipiente utilizada?

3,3 g

d)     Como será o rótulo?

    L-lisina (como cloridrato) 100 mg

e)     Sabendo que os conteúdos das cápsulas possuem as seguintes massas (em g), calcule a variação de peso e responda se este lote será ou não aprovado.

 

    Dados: teste de doseamento: 98,8% da quantidade declarada

    Peso médio das unidades usadas no doseamento: 0,2036 g

Conteúdo

Xi

1- 0,2135 103,60
2- 0,1978 95,98
3- 0,2038 98,90
4- 0,1867 90,60
5- 0,2298 111,51
6- 0,2045 99,24
7- 0,1987 96,42
8- 0,2087 101,27
9- 0,1921 93,22
10- 0,2123 103,02

VA= K.s

VA= 2,4 . 5,9

VA= 14,2

É menor do que 15, portanto aprovado.

 

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